domingo, novembro 14, 2004

Perseguições

Dói-me o sangue
de alguém,
paralítico.
Não corre,
não morre o mítico
em alguém.
Há também
uma floresta
sem luzes de festa,
com feras
virtuais.
São meras
mentiras
existenciais,
que miras,
nada a mais.
As feras são lentas
a encurralar-me nas vertigens
que me lembram as fuligens
de chaminés do desespero
sem fumo, semi-tormentas
que assumo placentas
de um novo que espero.
E voltar a subir?
Na hora em que os passos
são sinónimo de cair.
Descendentes compassos
de espera. A crença
não existe, só traços
de uma regurgitada desavença
nos estômagos da ilusão,
gástricas fábricas doentias
que produzem falhas no chão,
desequilíbrios. Sem acção.
As mãos da verdade ficam frias.
Os olhos das feras, e lá por trás
os olhos de alguém.